{"id":14065,"date":"2019-08-08T13:56:51","date_gmt":"2019-08-08T13:56:51","guid":{"rendered":""},"modified":"2019-08-08T13:56:51","modified_gmt":"2019-08-08T13:56:51","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fetagpi.org.br\/?p=14065","title":{"rendered":"Margaridas marcham por educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista, antirracista e pelo direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do campo"},"content":{"rendered":"<p>Mulheres do campo, da floresta, das \u00e1guas e das cidades est\u00e3o em contagem regressiva para marchar, na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (13) e quarta-feira (14), em Bras\u00edlia, por um pa\u00eds com educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista, antirracista e pelo direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do campo, um dos eixos da Marcha das Margaridas 2019.<\/p>\n<p>Em sua 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Marcha das Margaridas 2019 reafirma a luta por uma educa\u00e7\u00e3o orientada que contribua com a constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es justas, sustentada na perspectiva antirracista, n\u00e3o sexista e que reconhe\u00e7a a identidade das pessoas que vivem no meio rural.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um direito constitucional a todos os cidad\u00e3os (as) brasileiros (as), que assegura acesso \u00e0 escola e ao ensino de qualidade, a educa\u00e7\u00e3o promove o processo de socializa\u00e7\u00e3o que inicia a partir dos valores repassados pela fam\u00edlia, comunidade, igreja, meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos objetivos da Marcha \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o do Governo Federal e mostrar \u00e0 sociedade brasileira que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 investimento e que \u00e9 poss\u00edvel construir um Brasil solid\u00e1rio, justo, livre de preconceitos e que valorize a diversidade, os povos e os diferentes modos de vida.<\/p>\n<p>Para as Margaridas \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o que o ser humano forma opini\u00f5es e comportamentos, cria valores e ess\u00eancia, transforma rela\u00e7\u00f5es e supera preconceitos. E por acreditar na capacidade de transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 que as mulheres agricultoras seguem em marcha para garantir o direito da educa\u00e7\u00e3o a todas as gera\u00e7\u00f5es de mulheres, proporcionando condi\u00e7\u00f5es de acesso e perman\u00eancia em escolas e universidades.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estat\u00edstica), no Brasil, em 2015, havia mais de 1,7 milh\u00e3o de meninas e mulheres de 15 a 29 anos que n\u00e3o completaram o ensino m\u00e9dio, n\u00e3o estudavam e n\u00e3o exerciam atividades remuneradas.<\/p>\n<p>A gravidez e as dificuldades para deixar os (as) filhos (as) enquanto frequentam a escola s\u00e3o os principais motivos que levam as mulheres a n\u00e3o estudarem mais. Por isso a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade, garantindo o acesso das crian\u00e7as em creches, educa\u00e7\u00e3o infantil e demais n\u00edveis de escolaridade.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as possibilita a inser\u00e7\u00e3o das mulheres na escola e no mercado de trabalho, promovendo autonomia e independ\u00eancia financeira e contribuindo com o desenvolvimento pessoal e profissional das m\u00e3es.<\/p>\n<p>Por uma Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o Sexista<br \/>A discrimina\u00e7\u00e3o baseada no sexo, conhecido como sexismo, j\u00e1 come\u00e7a na inf\u00e2ncia quando as meninas s\u00e3o tratadas como bonecas fr\u00e1geis, comportadas e quando ganham brinquedos que remetem \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas como cozinhar, lavar e cuidar de bonecas. J\u00e1 os meninos s\u00e3o criados ao ar livre, rodeados de amiguinhos e incentivados a gostar de carros e futebol.<\/p>\n<p>A sociedade \u00e9 cheia de discrimina\u00e7\u00e3o e regras que assumem diferentes formas para homens e mulheres, mostrando a desigualmente e colocando as mulheres em posi\u00e7\u00f5es inferiores aos dos homens.<\/p>\n<p>Quando se luta Por uma Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o Sexista, se luta para que as escolas e outros espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o reproduzam ideias, valores e cren\u00e7as que desqualifiquem as mulheres e restrinjam as oportunidades. As milhares de margaridas v\u00e3o marchar para romper a falsa no\u00e7\u00e3o de que existem coisas de menina e de menino.<\/p>\n<p>A Marcha das Margaridas prop\u00f5e que em todos os espa\u00e7os educacionais debatam e pratiquem a igualdade entre os g\u00eaneros, respeitando as diferen\u00e7as, construindo um mundo sem desigualdades.<\/p>\n<p>Por uma Educa\u00e7\u00e3o Antirracista<br \/>X\u00f4, racismo! \u00c9 exatamente isso que as Margaridas buscam com a Marcha em Bras\u00edlia: promover uma grande reflex\u00e3o sobre o racismo, que fundamenta a ideia de superioridade de pessoas brancas e de inferioridade de pessoas que n\u00e3o s\u00e3o brancas, lutar por respeito e garantir igual valoriza\u00e7\u00e3o de todos os grupos \u00e9tnico-raciais que comp\u00f5em a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O racismo \u00e9 uma ideologia e uma pr\u00e1tica de domina\u00e7\u00e3o social, introduzido no ser humano de forma direta e indireta. Por exemplo, existem express\u00f5es que se aprende ainda crian\u00e7a e que depreciam a popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena e enaltecem a popula\u00e7\u00e3o branca. \u201cinveja branca\u201d; \u201cservi\u00e7o de preto\u201d e \u201cprograma de \u00edndio\u201d s\u00e3o alguns exemplos.<\/p>\n<p>Pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o do Campo<br \/>Assim como as pessoas que vivem nas grandes cidades t\u00eam educa\u00e7\u00e3o, escolas, universidades p\u00fablicas e ensino de qualidade, as mulheres e os homens do campo, da floresta e das \u00e1guas tamb\u00e9m t\u00eam o direito a educa\u00e7\u00e3o, e que respeite suas culturas, saberes, tempos e seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Desde 1998, os movimentos sociais e sindicais do campo t\u00eam provocado os governos e a sociedade para entenderem a educa\u00e7\u00e3o no campo como um direito dos povos e dever do Estado. A Educa\u00e7\u00e3o no Campo \u00e9 muito mais do que uma modalidade de ensino, \u00e9 um instrumento pol\u00edtico que faz uma leitura cr\u00edtica da realidade, fortalecendo a identidade coletiva.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da professora Leila Lesandra Paiter, de 28 anos, natural de Irine\u00f3polis, munic\u00edpio de Santa Catarina, \u00e9 um dos exemplos da import\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o do Campo. Leila trabalhou na agricultura com os pais at\u00e9 os 22 anos e, durante esse per\u00edodo, participou de diversas forma\u00e7\u00f5es sindicais, entre elas o Programa Jovem Saber, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).<\/p>\n<p>Por meio da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), a jovem agricultora conseguiu ingressar na primeira turma de Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o do Campo \u2013 Ci\u00eancias da Natureza e Matem\u00e1tica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/p>\n<p>Leila afirma que a experi\u00eancia do curso foi maravilhosa e que a forma\u00e7\u00e3o inicial para professores foi bastante cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao modelo de educa\u00e7\u00e3o e de sociedade que se vive, fazendo com que as(os) docentes reflitam e repensem sobre o campo, os problemas existentes nas comunidades rurais e a solu\u00e7\u00e3o desses problemas.<\/p>\n<p>Depois de concluir a licenciatura, a jovem participou de um projeto comunit\u00e1rio de diversifica\u00e7\u00e3o de tabaco no munic\u00edpio de Alfredo Wagner, onde reside e ministra aulas de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental para s\u00e9ries iniciais. \u201cA minha forma\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o do Campo contribuiu para que eu tivesse um olhar mais cr\u00edtico para o meio rural, identificando problemas e buscando solu\u00e7\u00f5es para melhorar a qualidade de vida\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Leila afirma que o objetivo da Educa\u00e7\u00e3o do Campo \u00e9 formar professores que deem vida aos conte\u00fados trabalhados nas escolas do meio rural e conte\u00fados que deem mais sentido ao dia a dia das pessoas quem moram no campo. \u201cA luta pela da Educa\u00e7\u00e3o do Campo \u00e9 muito maior do que a gente imagina e \u00e9 um processo que depende dos movimentos sociais e sindical das(os) educadoras(es) e das comunidades do campo para defender esse direito que \u00e9 b\u00e1sico\u201d, complementa a professora.<\/p>\n<p>Como uma jovem do meio rural, Leila avalia a Educa\u00e7\u00e3o do Campo como extremamente positiva por ter possibilitado um novo olhar do campo, enquanto um lugar ideal para produ\u00e7\u00e3o de saberes e vida \u00e0s jovens mulheres do meio rural.<\/p>\n<p>FONTE: Comunica\u00e7\u00e3o Marcha das Margaridas 2019 &#8211; Viviana Ramos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres do campo, da floresta, das \u00e1guas e das cidades est\u00e3o em contagem regressiva para marchar, na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (13) e quarta-feira (14), em Bras\u00edlia, por um pa\u00eds com educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista, antirracista e pelo direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do campo, um dos eixos da Marcha das Margaridas 2019. 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