{"id":14063,"date":"2019-08-05T14:19:58","date_gmt":"2019-08-05T14:19:58","guid":{"rendered":""},"modified":"2019-08-05T14:19:58","modified_gmt":"2019-08-05T14:19:58","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fetagpi.org.br\/?p=14063","title":{"rendered":"Pela autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"660\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"textopradrao\">\n<div>A sexualidade feminina \u00e9 marcada por diversos tabus que frequentemente impedem as mulheres de falarem sobre isso, e de buscarem compreender melhor sobre o pr\u00f3prio corpo, suas fases, emo\u00e7\u00f5es e tudo o que compreende esse universo, a princ\u00edpio individual, mas que em algum momento tamb\u00e9m encontra o coletivo. Tabus que come\u00e7am em casa, principalmente quando as mulheres chegam \u00e0 puberdade, e se arrastam por toda a vida, perpetuados pela m\u00eddia e pelas conven\u00e7\u00f5es sociais ainda fortemente arraigadas nos princ\u00edpios patriarcais que reprimem a sexualidade feminina. Fatalmente, a liberdade das mulheres em fazer suas escolhas na esfera da sexualidade ainda \u00e9 muito usada como motiva\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia contra elas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.contag.org.br\/arquivos\/portal\/image\/NOT%C3%8DCIAS%202019\/JULHO\/5ac99399-9bfd-44d9-b78d-993c91f99a2f.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"392\" \/><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Mas na Marcha das Margaridas qualquer tabu acerca desse tema t\u00e3o importante \u00e9 quebrado, e a defesa pela autonomia e liberdade sexual das mulheres do campo e da cidade \u00e9 pautada no debate das Margaridas e na mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que realizam, assim como o combate a todas as formas de viol\u00eancia que se caracterizam nesse e em outros contextos.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A autonomia e liberdade sexual fazem parte da luta dos movimentos feministas h\u00e1 muitas gera\u00e7\u00f5es, e gra\u00e7as \u00e0s mulheres que assumiram essa luta no passado, avan\u00e7amos em alguns aspectos, como por exemplo, a possibilidade de fazer escolhas relacionadas ao direito sexual e reprodutivo, como o uso da p\u00edlula anticoncepcional ou outros m\u00e9todos contraceptivos. Mas ainda h\u00e1 pautas nesse sentido que demandam mais luta das mulheres, como o direito de escolher sobre a manuten\u00e7\u00e3o ou interrup\u00e7\u00e3o de uma gravidez, quest\u00e3o que hoje, em muitos pa\u00edses, entre eles o Brasil, ainda cabe ao Estado decidir.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.contag.org.br\/arquivos\/portal\/image\/NOT%C3%8DCIAS%202019\/JULHO\/db4480df-facd-49bd-a89c-9a83228bd839.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"396\" \/><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Para al\u00e9m de quest\u00f5es sexuais, a autonomia e liberdade se refletem ainda em outros momentos da vida, como nas escolhas educacionais e profissionais, de estilo de vida, entre outros setores pessoais. Por press\u00e3o da sociedade vinculada a crit\u00e9rios e padr\u00f5es patriarcais, muitas mulheres se frustram de assumir suas identidades e de caminhar para suas escolhas, pelo receio do julgamento que s\u00e3o expostas diante de certas escolhas que cabem s\u00f3 a elas, mas que a sociedade insiste em interferir. Nesse sentido, \u00e9 importante o empoderamento feminino para quebrar os padr\u00f5es que impedem as mulheres de se sentirem confort\u00e1veis para fazer escolhas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>As quest\u00f5es da sexualidade feminina figuram ainda nas motiva\u00e7\u00f5es para diversas formas de viol\u00eancia. O primeiro tipo de viol\u00eancia \u00e0 sexualidade que normalmente v\u00eam \u00e0 tona quando falamos desse assunto \u00e9 o estupro, crime b\u00e1rbaro de viola\u00e7\u00e3o sexual, que ainda figura estat\u00edsticas alt\u00edssimas no Brasil, e envolve n\u00e3o s\u00f3 mulheres adultas, mas tamb\u00e9m crian\u00e7as e adolescentes, que muitas vezes encontram o abuso sexual dentro de casa ou no meio social onde convivem. Isso preocupa muito as Margaridas, e sobre tal elas cobram provid\u00eancias do poder p\u00fablico, para conscientiza\u00e7\u00e3o social do problema e puni\u00e7\u00e3o severa desse ato que fere n\u00e3o somente o corpo, mas tamb\u00e9m o psicol\u00f3gico e a dignidade das mulheres que sofrem tal abuso.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Outro recorte que cabe na discuss\u00e3o sobre a sexualidade, e que \u00e9 tema da Marcha das Margaridas, \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o sexual das mulheres e a liberdade de escolha com quem elas desejam se relacionar, sem que se questione se \u00e9 com pessoas do sexo oposto, do mesmo sexo ou ambos. E tamb\u00e9m a compreens\u00e3o do que \u00e9 a identidade de g\u00eanero e do fato que h\u00e1 pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero que nasceram, e n\u00e3o se encaixam no padr\u00e3o Homem e Mulher que \u00e9 imposto socialmente. A tudo isso, cabe sobretudo o respeito \u00e0s escolhas de cada pessoa, e o combate a todas as formas de viol\u00eancia contra o que est\u00e1 fora do padr\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00c9 com grande ang\u00fastia e preocupa\u00e7\u00e3o que as Margaridas v\u00eam as conquistas do feminismo sobre esses e outros temas, batalhadas por tantos anos, perdendo for\u00e7a e retrocedendo diante de uma conjuntura pol\u00edtica de extrema direita que governa o Brasil hoje. Declara\u00e7\u00f5es machistas vindas do presidente e outros representantes do governo se tornam cada vez mais perigosas para a vida das mulheres na sociedade. Teme-se o aumento da viol\u00eancia sexual e outras formas de viol\u00eancia, e do fatal feminic\u00eddio, em um pa\u00eds onde as estat\u00edsticas j\u00e1 s\u00e3o altas e desesperadoras.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Para a coordenadora de Pol\u00edticas para Mulheres da COPROFAM, Florinda Silva, do Paraguai, que estar\u00e1 em agosto em Bras\u00edlia marchando com as Margaridas, n\u00e3o se pode desanimar frente as dificuldades que o atual cen\u00e1rio coloca: \u201c A luta que as Margaridas protagonizam h\u00e1 anos est\u00e1 mais dif\u00edcil, frente a essa conjuntura de extremismo e viol\u00eancia. Mas isso n\u00e3o deve nos desanimar, e sim nos dar mais for\u00e7a para n\u00e3o perder o ritmo de luta. Precisamos manter esse ritmo e potencializ\u00e1-lo, fortalecendo-o com a nossa voz e os nossos desejos de construir uma sociedade melhor e mais segura para as mulheres. Nossa voz \u00e9 importante, n\u00f3s temos valor. For\u00e7a, Margaridas!\u201d.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A Marcha das Margaridas \u00e9 a maior a\u00e7\u00e3o de mulheres da Am\u00e9rica Latina. E \u00e9 realizada pela CONTAG, Federa\u00e7\u00f5es e Sindicatos de Trabalhadores(as) Rurais, com o apoio de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es parceiras.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><strong>#MarchadasMargaridas2019<\/strong><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong class=\"style6\">FONTE: Comunica\u00e7\u00e3o Marcha das Margaridas 2019 &#8211; Gabriella Avila<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sexualidade feminina \u00e9 marcada por diversos tabus que frequentemente impedem as mulheres de falarem sobre isso, e de buscarem compreender melhor sobre o pr\u00f3prio corpo, suas fases, emo\u00e7\u00f5es e tudo o que compreende esse universo, a princ\u00edpio individual, mas que em algum momento tamb\u00e9m encontra o coletivo. 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