{"id":14059,"date":"2019-07-31T16:46:29","date_gmt":"2019-07-31T16:46:29","guid":{"rendered":""},"modified":"2019-07-31T16:46:29","modified_gmt":"2019-07-31T16:46:29","slug":"","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.fetagpi.org.br\/?p=14059","title":{"rendered":"Margaridas seguem em marcha por acesso \u00e0 terra, direito \u00e0 \u00e1gua e em defesa da agroecologia"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 imaginou um Brasil em que todas as fam\u00edlias agricultoras tivessem direito \u00e0 terra e \u00e0 \u00e1gua, com liberdade e autonomia para plantar como quisessem? Agora imagina se essas mesmas fam\u00edlias pudessem alimentar todo o pa\u00eds com comida de verdade, sem veneno, respeitando a vida e o meio ambiente. As mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas acreditam que essa pode ser sim uma realidade e defendem que a agroecologia e a agricultura familiar s\u00e3o bases concretas de transforma\u00e7\u00e3o para a nossa sociedade. \u00c9 o que tamb\u00e9m acredita Irene Maria Cardoso, professora da Universidade Federal de Vi\u00e7osa e grande refer\u00eancia da agroecologia no Brasil.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem sido difundida na sociedade a ideia de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel produzir sem agrot\u00f3xicos. Nesse mesmo sentido, existe tamb\u00e9m um discurso de que a agroecologia n\u00e3o \u00e9 capaz de produzir alimentos suficientes para alimentar o mundo. A professora Irene Cardoso argumenta que se existir uma pessoa no mundo capaz de produzir sem agrot\u00f3xicos, todas podem produzir. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de aprender a fazer. Eu costumo dizer que quem n\u00e3o tem compet\u00eancia para fazer, tem que ter a humildade de aprender com quem sabe. Hoje existem in\u00fameros agricultores(as) no mundo que produzem sem veneno. \u00c9 com eles que n\u00f3s temos que aprender. Quem fala que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel produzir sem agrot\u00f3xico tem que falar assim: eu n\u00e3o tenho compet\u00eancia para produzir sem agrot\u00f3xico. V\u00e1rios estudos mostram que a agroecologia tem potencial para alimentar o mundo, mas \u00e9 preciso de apoio da sociedade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A agroecologia \u00e9 um modo de vida e de produ\u00e7\u00e3o que garantem a soberania e a seguran\u00e7a alimentar, que pressup\u00f5em o cuidado com os bens comuns, al\u00e9m de rela\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas justas entre as pessoas e o respeito a todos os seres do planeta. Entretanto, al\u00e9m do apoio da sociedade, o acesso \u00e0 terra e \u00e0 \u00e1gua s\u00e3o imprescind\u00edveis para que as fam\u00edlias pratiquem a agroecologia. Num pa\u00eds de propor\u00e7\u00f5es continentais como o Brasil, as estat\u00edsticas demonstram que a concentra\u00e7\u00e3o de terra ainda \u00e9 alt\u00edssima. Para as mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas a garantia do direito \u00e0 terra \u00e9 bandeira de luta central.<\/p>\n<p>Se existem grandes latif\u00fandios que n\u00e3o cumprem sua fun\u00e7\u00e3o social, enquanto in\u00fameras trabalhadoras e trabalhadores rurais n\u00e3o tem terra para morar e\/ou trabalhar, a constitui\u00e7\u00e3o prev\u00ea que \u00e9 dever do Estado desapropriar essa terra e distribu\u00ed-la entre as fam\u00edlias que precisam. Assim como a reforma agr\u00e1ria, a demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios tradicionais \u00e9 tamb\u00e9m um direito constitucional que cumpre o importante papel de reparar a viol\u00eancia e injusti\u00e7as vividas pelos povos ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00f5es quilombolas ao longo da hist\u00f3ria. Ao lutar pela demarca\u00e7\u00e3o de suas terras, eles est\u00e3o reafirmando o direito ao seu territ\u00f3rio ancestral, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de suas culturas, modos de vida, rituais e tudo que os formam como povos.<\/p>\n<p>Mas se o acesso \u00e0 terra \u00e9 um sonho inalcan\u00e7ado para muitos, para as mulheres \u00e9 ainda mais inacess\u00edvel. Considerando todas as propriedades de terra no Brasil, apenas 18,6% t\u00eam mulheres como titulares (Censo Agropecu\u00e1rio, IBGE, 2017) \u2013 o que reflete, al\u00e9m das desigualdades econ\u00f4micas, uma sociedade que ainda acredita que terra e espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o direitos s\u00f3 dos homens. Ao longo da hist\u00f3ria, a divis\u00e3o sexual do trabalho vem separando e hierarquizando trabalho de mulheres e homens. Nesse sentido, se na luta pela terra as mulheres s\u00e3o as mais prejudicadas, a dificuldade de acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade amplia a sobrecarga de trabalho e as desigualdades que vivenciam. Em momentos de escassez, s\u00e3o elas que sofrem para buscar \u00e1gua para toda a fam\u00edlia, mesmo que para isso seja necess\u00e1rio caminhar quil\u00f4metros, esperar em filas ou carregar litros de \u00e1gua na cabe\u00e7a, enfrentando sol, chuva e at\u00e9 mesmo o medo da viol\u00eancia sexual. E mais uma vez, todo seu trabalho n\u00e3o \u00e9 reconhecido.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 um dos graves problemas da atualidade. Estudos demonstram que as ind\u00fastrias e o agroneg\u00f3cio s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior quantidade de consumo e desperd\u00edcio, sem contar a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por agrot\u00f3xicos e o plantio de monoculturas, como o eucalipto, que contribuem para o esgotamento dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. Outra quest\u00e3o fundamental \u00e9 o impacto da minera\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de grandes consumidoras de \u00e1gua, com seu sistema de barragens produzem rejeitos que contaminam as \u00e1guas utilizadas pelas comunidades. \u00c9 diante deste cen\u00e1rio (e por entenderem que a \u00e1gua \u00e9 um bem comum, e n\u00e3o uma mercadoria) que as mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas denunciam esta apropria\u00e7\u00e3o privada e predadora dos bens comuns, reafirmando que \u00e9 importante repensar a minera\u00e7\u00e3o, de forma soberana e popular, reconhecendo que o solo e a \u00e1gua do nosso pa\u00eds devem estar a servi\u00e7o do povo.<\/p>\n<p>As Margaridas seguem em marcha construindo alternativas para produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, pautando o respeite ao meio ambiente, as rela\u00e7\u00f5es justas entre as pessoas, e um novo projeto de desenvolvimento para o Brasil a partir da agroecologia. Elas ainda defendem que a agroecologia s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com democracia, pois para que germine \u00e9 necess\u00e1rio ter pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas, espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o social e fortalecimento das redes, de forma a potencializar a a\u00e7\u00e3o dos sujeitos que produzem alimentos, como agricultoras (es) familiares, camponesas (es), mulheres, jovens, ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p>Quer saber mais sobre o tema, clica no caderno de debates da Marcha das Margaridas 2019 (POR TERRA, \u00c1GUA E AGROECOLOGIA AQUI<\/p>\n<p>A Marcha das Margaridas 2019 \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o protagonizada por mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas, realizada pela CONTAG, Federa\u00e7\u00f5es e Sindicatos filiados \u00e0 Confedera\u00e7\u00e3o, e apoiada por 16 organiza\u00e7\u00f5es parceiras.<\/p>\n<p>FONTE: Comunica\u00e7\u00e3o Marcha das Margaridas 2019 &#8211; Vanessa Marinho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 imaginou um Brasil em que todas as fam\u00edlias agricultoras tivessem direito \u00e0 terra e \u00e0 \u00e1gua, com liberdade e autonomia para plantar como quisessem? 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